Marcelo Horta Messias Franco
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Fonte: A Tribuna
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Gilberto Lobo
No maior estilo faroeste caboclo, o conflito por terras em Lábrea, sul do Amazonas,
matou três e prepara-se para fazer mais vítimas. O trabalhador Roberto Passos, de
42 anos, contou que foi atingido por três tiros, dos 17 que foram disparados contra
ele.
Perpetuando os conflitos que marcaram a história do Acre, mais uma vez os grandes
pecuaristas se atiram com toda a violência contra os trabalhadores rurais para
forçá-los a sair das terras que são deles, mas sim da União segundo o Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
São 1,2 mil famílias vivendo sob o medo de uma terra, aparentemente, sem lei, de um
lugar que abandonado até pelo Estado do qual faz parte: o Amazonas. Seus habitantes
têm que se portar ao Acre para pedir ajuda, para pedir apoio. Eles viajam 190
quilômetros para chegar a Rio Branco, tendo que deixar sozinha a família em busca de
saída, como explicou Roberto Passos: "Não temo por mim, mas é duro ver a sua família
correndo perigo."
"O duro é saber que o processo que entregamos à Polícia Federal foi arquivado sem
solução. É duro também ver quem tentou me matar, andar de peito aberto sem culpa e
sem medo de onde moramos, sem temer punição alguma.
Roberto, que ontem foi à Assembléia Legislativa pedir apoio, explicou que os
fazendeiros têm informantes que avisam quando a polícia pretende investigar o caso.
Isso é um dos maiores empecilhos para que o caso seja concluído.
Direitos Humanos
O presidente da Comissão dos Direitos Gumanos do Poder Legislativo, deputado Walter
Prado (PSB), disse que houve uma audiência pública no Amazonas, onde os secretários
de estado se comprometeram em intervir no caso, inclusive, enviando policiamento ao
local. No entanto, mesmo depois da audiência, continuam acontecendo atentados à
vida dos moradores do assentamento em Lábrea.
O dossiê do conflito será enviado à Superintendência da Polícia Federal para que,
mais uma vez, o caso seja apurado. O deputado ainda acrescentou que os problemas
poderão se agravar caso os agressores não sejam presos, culpados também pelos crimes
ambientais que vêm praticando.
O processo anterior foi arquivado sem apuração a pedido do senador Artur Virgílio
(PDT-RJ) quando tramitava no Congresso Nacional.
"Nesses dias, acontece mais um processo de reintegração de posse, e os moradores
estão apreensivos, porque nesses momentos o conflito fica maior e os fazendeiros vêm
com tudo para cima da gente sem pena e sem dó. O pior que a terra é da União",
desabafou Roberto.